O torcedor do Grêmio investigado por suposto ato racista durante o Gre-Nal 455 prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira, em Porto Alegre. Ele estava acompanhado de seu advogado e admitiu ter feito gestos que imitavam um macaco em direção à torcida do Internacional.
Segundo o delegado Vinícius Nahan, responsável pelo caso, o homem de 29 anos afirmou que o gesto foi uma provocação dentro da rivalidade entre os clubes e negou intenção de praticar racismo. A polícia pretende ouvir mais uma testemunha e analisar imagens das câmeras de segurança enviadas pelo Grêmio para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário na quinta-feira.
O advogado Lucas Bianchi, responsável pela defesa, declarou que seu cliente fez um “gesto infeliz” após ser provocado com ofensas homofóbicas por torcedores do Inter. Bianchi destacou que o suspeito é pardo, tem esposa negra e filhos pardos, e reforçou que não houve intenção racista.
O delegado contestou os argumentos da defesa. Segundo Nahan, as teses apresentadas no interrogatório não se sustentam, pois o gestual e o termo “macaco” não são mais aceitos socialmente como provocação e são interpretados como racismo.
A manifestação foi flagrada após o Gre-Nal do último domingo, na Arena, quando o homem fez gestos similares aos de um macaco em direção à área destinada aos colorados. A ação foi filmada e viralizou nas redes sociais.
Na terça-feira, o Grêmio divulgou nota informando que identificou o torcedor e enviou as informações à polícia e ao Conselho Deliberativo do clube. O caso segue em análise pela Comissão de Ética e Disciplina do Grêmio, que pode aplicar sanções adicionais ao sócio-torcedor.