A juíza Laura Marques Lindenbaum, durante sessão do Tribunal do Júri no Fórum de Rio Pardo, condenou Jéferson Lucas da Silva Camargo, de 24 anos, a 29 anos de prisão em regime fechado. A sentença foi proferida na última segunda-feira (5).
O réu foi considerado culpado pelo duplo homicídio triplamente qualificado de Bruna Oliveira de Carvalho, de 27 anos, e Luis Antônio Ribeiro, de 26. O crime ocorreu em 6 de junho de 2023, no Bairro Jardim Boa Vista.
O caso é considerado um dos mais chocantes da década na região de Rio Pardo. O Conselho de Sentença acolheu integralmente as três qualificadoras sustentadas pelo Ministério Público, representado pelo promotor Daniel Cozza Bruno. A decisão judicial encerra uma das etapas do processo, que ainda tem desdobramentos pendentes em relação a outro envolvido no crime.
Segundo a denúncia do Ministério Público, as vítimas foram atraídas para uma emboscada por Charles Linhares de Moraes, conhecido como “Xaxá”. Sob o pretexto de esconder um carro roubado, ele levou o casal até o local onde Jéferson e um segundo comparsa, Rochester Nathanael Santos de Oliveira, aguardavam a bordo de um Hyundai Tucson com placas clonadas.
Câmeras de segurança flagraram o momento em que os executores desembarcaram e dispararam de surpresa contra o casal. O crime foi cometido dentro de um Volkswagen Gol, na frente dos filhos das vítimas — uma menina de 7 anos e um menino de 2 —, que saíram ilesos do banco de trás e hoje estão sob a guarda dos avós.
As qualificadoras acolhidas pelos jurados foram motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e perigo comum. O crime está diretamente ligado a disputas e desavenças do tráfico de entorpecentes. Os disparos foram efetuados com crianças no interior do veículo, o que configurou o perigo comum.
Conforme o depoimento do delegado Anderson Faturi, Luis Antônio, vulgo “Perneta”, possuía antecedentes e havia trocado recentemente de facção criminosa — migrando do grupo Bala na Cara para Os Manos —, além de acumular dívidas expressivas de drogas na região de Butiá.
Xaxá, que atuou como motorista do grupo, foi assassinado com tiros na nuca poucos dias após o duplo homicídio, em julho de 2023. O segundo executor, Rochester, teve o processo cindido e aguarda o julgamento em liberdade.
O condenado Jéferson, que possui extensa ficha por porte de armas e lesões corporais, retornou sob forte escolta da Polícia Penal para a Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ).