A Polícia Civil investiga a autenticidade de um medicamento importado entregue a um paciente com leucemia. O produto foi comprado por determinação judicial pela prefeitura do município onde o homem reside junto a uma empresa importadora sediada em Itajaí, em Santa Catarina.
O paciente desconfiou da eficácia do tratamento após cerca de 20 dias de uso. O médico responsável constatou incompatibilidade entre as cartelas recebidas e as características do remédio que deveria ter sido fornecido.
Segundo o delegado João Paulo de Abreu, o paciente não conhecia anteriormente a apresentação do remédio, pois nunca havia utilizado aquela medicação específica. A suspeita surgiu somente após a avaliação médica.
Durante as diligências, os policiais identificaram inscrições e características nas cartelas que chamaram atenção. Pesquisas em bancos de dados e fontes comerciais no exterior indicaram semelhanças entre o material e um produto alimentício comercializado na China, descrito como uma “bala macia com sabor taro”.
Comparações fotográficas também apontaram coincidências entre os itens. “A gente percebe, não na embalagem, mas sim na cartela do medicamento, que havia dizeres e anotações que remetiam a um produto de origem chinesa”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil ressalta que ainda não há confirmação sobre a composição do material. Os produtos serão submetidos à perícia do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que deverá determinar se o conteúdo corresponde ou não ao medicamento prescrito.
Nesta quarta-feira (7), os investigadores cumpriram mandado de busca e apreensão na empresa importadora, em Itajaí. Nenhuma unidade do remédio foi localizada durante a ação policial.