A canção “Rincão dos Touros”, com poema do bageense Eron Vaz Mattos e melodia de Luiz Marenco, foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Bagé. A legislação, proposta pela vereadora Faustina Campos e sancionada pelo prefeito Luiz Fernando Mainardi, também estabelece a obra como Canção Símbolo Tradicionalista do Município.
O reconhecimento homenageia o valor histórico, cultural e identitário da composição para a tradição campeira e nativista da região da Campanha. A canção poderá ser executada em eventos tradicionalistas promovidos ou apoiados pelo município, quando pertinente.
A composição reúne referências ao cotidiano rural, à lida campeira e a personagens ligados à região, como “Grujo Velho”, “Negrinho”, “Dom Felipe” e “Zaragoza”. O texto também aponta elementos como a encilha, o pealo e o manejo da tropa, além de expressões e referências geográficas relacionadas à Campanha.
O próprio Rincão dos Touros é identificado como denominação de uma cabanha e estância da região. Para a justificativa, esses elementos contribuem para o registro da memória e da identidade cultural de Bagé.
Nascido em Bagé, em 15 de dezembro de 1950, Eron Vaz Mattos construiu sua trajetória ligada à cultura campeira. Criado na localidade de Olhos d’Água, no interior do município, trabalhou com gado, arado e carreta. Em entrevista ao Conecta, do Jornal Minuano, definiu-se como “galponeiro” e destacou a influência da vivência no campo em sua produção artística.
A relação com a música começou ainda na infância, influenciada pelo pai, que tocava gaita de boca, e pela mãe, que tocava violão. Eron aprendeu acordeon e violão e participou de conjuntos que se apresentaram em bailes, festas e serenatas no interior, além de atividades na região de fronteira, no Uruguai e na Argentina.
Aos 22 anos, quando estava em Porto Alegre, começou a se dedicar à poesia. Desde então, produziu mais de 160 músicas gravadas, publicou sete livros e estabeleceu parcerias com diferentes artistas. Entre elas está Luiz Marenco. Foi dessa parceria que nasceu “Rincão dos Touros”.
Na justificativa apresentada à Câmara, a autora destaca a relação histórica de Bagé com a atividade estancieira, a criação de gado, a cultura do cavalo e a condição fronteiriça. A legislação não estabelece obrigatoriedade de execução pública nem gera despesas ao erário.