A temperatura da superfície do mar na região central e Leste do Pacífico Equatorial atingiu 3,1°C acima da média histórica em 21 de setembro, segundo dados da NOAA. O valor supera o recorde anterior de 3,0°C registrado em novembro de 2015, durante um dos episódios mais intensos do fenômeno já observados.
A marca foi alcançada três meses antes do período em que os modelos climáticos analisados pela MetSul Meteorologia projetam o pico de intensidade do El Niño de 2026. Apesar do recorde, a NOAA ainda não classificou oficialmente o episódio como o mais forte da história.
A agência americana passou a dar maior peso ao Relative Oceanic Niño Index (RONI), índice que considera a capacidade do El Niño de modificar o clima global. Por esse critério, o episódio atual ainda não superou o evento de 1997-1998. A diferença entre os indicadores importa porque as temperaturas excepcionalmente altas do momento não determinam a intensidade final do fenômeno, que seguirá ganhando força ao longo de outubro e novembro.
O episódio chama atenção pela rapidez de sua evolução. O Pacífico equatorial passou de uma condição de La Niña no último verão para um El Niño muito forte em menos de um ano, transição que pode estar entre as mais rápidas já observadas.
O calor acumulado no Pacífico tem consequências para a circulação atmosférica e pode modificar padrões de chuva, temperatura e atividade de tempestades em diferentes partes do planeta. Entre os efeitos associados ao atual episódio estão uma temporada de furacões menos ativa no Atlântico, maior atividade no Pacífico, condições mais secas em partes da América Central e tendência de redução das chuvas no norte da América do Sul e na Amazônia, enquanto no Sul do Brasil chove muito.
Os efeitos sobre as latitudes médias, entretanto, são menos previsíveis. O aquecimento global dos oceanos alterou o cenário climático de fundo, fazendo com que algumas relações históricas entre El Niño e determinados padrões regionais de chuva e temperatura sejam menos consistentes.
Assim, um El Niño excepcionalmente forte não significa necessariamente que todos os impactos tradicionais ocorrerão com intensidade proporcional. Pesquisadores alertam que o aquecimento global aumentou a quantidade de energia armazenada nos oceanos, mas ainda não existe consenso sobre quanto das características extremas do El Niño atual pode ser diretamente atribuído às emissões humanas de gases de efeito estufa.