A influência da família na formação de jovens empreendedores foi o tema central da edição mais recente do programa Emoção, Afeto e Comportamento, da Rádio Uirapuru. O programa é apresentado semanalmente pelo psiquiatra Erico Hecktheuer e recebe convidados de diferentes áreas para debater temas do cotidiano.
Nesta edição, o apresentador conversou com sua filha, Sofia Hecktheuer, empreendedora e empresária. Durante o encontro, ela destacou que os filhos aprendem principalmente por meio dos exemplos observados dentro de casa e que a postura dos pais diante do trabalho pode estimular ou limitar a disposição dos jovens para assumir riscos e desenvolver novos projetos.
Sofia ressaltou que o empreendedorismo não precisa ser apresentado como obrigação para todos. Segundo ela, trabalhar como empregado também é uma escolha válida, mas é importante que os jovens tenham contato com diferentes experiências profissionais, como estágios e programas de aprendizagem.
Na avaliação da empresária, essas vivências permitem conhecer o mercado, desenvolver habilidades e aprender com erros ainda no início da trajetória profissional. Ela também abordou a reação de muitas famílias quando os filhos demonstram interesse em seguir caminhos diferentes dos tradicionais.
Conforme Sofia, o medo da instabilidade e do fracasso pode fazer com que pais desencorajem iniciativas dos jovens, mesmo com a intenção de protegê-los. Esse tipo de reação, observou, pode levar os filhos a abandonar ideias antes mesmo de testá-las.
Sofia compartilhou ainda sua experiência pessoal com o empreendedorismo. Durante a pandemia, aos 15 anos, começou com aproximadamente 30 reais, investindo na produção e revenda de máscaras. A iniciativa cresceu e alcançou mais de mil clientes em diferentes regiões do país.
Para ela, o exemplo demonstra que o início de um negócio nem sempre depende de grandes recursos, mas de iniciativa, disposição para aprender e coragem para colocar uma ideia em prática. Na avaliação da jovem, a família tem papel importante ao oferecer orientação e apoio, mas também precisa permitir que os filhos desenvolvam autonomia.
O incentivo, segundo Sofia, não significa eliminar todos os riscos ou garantir que uma iniciativa dará certo, mas ajudar o jovem a aprender com as experiências e compreender que mudanças fazem parte da construção profissional.