Um torcedor do Grêmio morreu na Arena durante a partida contra o Palmeiras, no último domingo, pela 28ª rodada do Brasileirão. O aposentado Euclides Maciel dos Santos, de 74 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória na arquibancada Superior Leste.
A família questiona a demora no atendimento médico. Uma torcedora técnica em enfermagem iniciou os primeiros socorros no local. O óbito foi declarado às 12h14min, segundo relato da filha da vítima.
O caso reacende a discussão sobre a estrutura de atendimento de emergência em estádios de grande porte. A Arena do Grêmio recebeu 50.694 pessoas no confronto, e a família e a profissional de saúde afirmam que o volume de público não justifica a demora relatada. O Grêmio e a Unimed, empresa contratada para a cobertura médica do estádio, divergem sobre os protocolos adotados e os tempos de resposta.
O neto de Euclides, Jonas Rodrigues dos Santos, de 20 anos, acompanhou o avô no jogo. Ele relata que a ambulância estava do outro lado do estádio e que os médicos da Unimed levaram entre 25 e 30 minutos para chegar.
– Deitamos ele na arquibancada, e uma torcedora ajudou a fazer a massagem cardíaca. Começaram a chegar alguns bombeiros, que ficam ali na volta, mas eles não iniciaram o procedimento – afirma Jonas.
A técnica de enfermagem Elvia Calixto prestou os primeiros socorros. Ela afirma ter ouvido de um bombeiro, pelo rádio, que havia apenas um desfibrilador, disponível em uma ambulância posicionada no outro lado do estádio.
– Desci correndo as arquibancadas e falei para os bombeiros iniciarem o RCP. Ele estava em parada cardíaca e em Gasping. Então, eu iniciei o procedimento – relata Elvia.
A profissional avalia que houve falha grave no atendimento. Segundo ela, as bombeiras tiveram dificuldades para realizar a massagem cardíaca e verificar o pulso.
– Acredito que, com uma intervenção mais rápida e adequada, essa vida poderia ter tido uma chance. Quando o suporte avançado chegou, com médico e desfibrilador, já era tarde – explica.
A filha de Euclides, Tainá dos Santos, de 30 anos, recebeu a ligação dos sobrinhos às 11h23min, momento em que o pai desmaiou. Ela foi ao estádio e soube do óbito quando a equipe desceu com o corpo no elevador.
Em nota, a Unimed afirmou que as equipes de emergência realizam de forma imediata todas as medidas previstas nos protocolos de suporte avançado de vida. A empresa informou que dispunha de seis UTIs móveis, seis médicos, seis enfermeiros e seis técnicos de enfermagem, além de equipamentos e um médico regulador no Centro de Comando Operacional.
O Grêmio também se manifestou por nota. O clube informou que a equipe de bombeiros civis prestou o primeiro atendimento a Euclides e que a equipe da Unimed deu prosseguimento ao atendimento na arquibancada, removendo o torcedor ao saguão do nível antes de seguir com as tentativas de reanimação.