O agronegócio do Rio Grande do Sul enfrenta uma combinação de eventos climáticos extremos, endividamento e falta de sucessão familiar. Entre 2020 e 2025, o estado deixou de produzir 48,6 milhões de toneladas de grãos em relação ao volume esperado, segundo levantamento da Farsul.
As perdas no setor chegaram a R$ 126,3 bilhões no período. Considerando os impactos em indústria, comércio e serviços, o prejuízo alcança R$ 319,2 bilhões. O endividamento no campo gaúcho soma R$ 45 bilhões em operações atrasadas, inadimplentes ou renegociadas.
A sucessão rural também preocupa. Na produção de leite, o número de produtores caiu de 84 mil, em 2015, para 29 mil, em 2025, conforme a Fetag-RS. A instabilidade de preços e o aumento de custos reduziram a capacidade de investimento no setor. Entidades buscam manter jovens na atividade com crédito, assistência técnica e formação.
Para o produtor Erico Toniolo, que planta milho e cria gado em Viamão, os eventos climáticos tornaram o planejamento mais difícil. “A gente não pode fazer dívida contando com o que vai colher, porque não sabe se vai colher”, afirma.
A ampliação da irrigação é apontada como uma das alternativas para reduzir os efeitos das estiagens. Na safra 2025/2026, 99,9% da área de arroz do estado era irrigada. No milho, o índice era de 17,4%, e na soja, de apenas 3,8%, segundo a Secretaria da Agricultura.
Em São Luiz Gonzaga, o produtor Carlos Eduardo Braga Pires investe em irrigação desde 2012. Segundo ele, a tecnologia reduz os riscos e aumenta a previsibilidade da produção. O estado mantém um programa que prevê subvenção de até 20% para projetos de irrigação e reservação de água, com limite de R$ 150 mil por produtor.
Nilson Luiz Costa, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Economia do Agronegócio da UFSM, defende ações de curto, médio e longo prazo. “A ampliação dos investimentos de irrigação, junto com o fomento ao seguro privado e ao Proagro, são essenciais para pensarmos a política pública de resiliência climática para o campo”, diz. Ele também cita a diversificação de culturas como medida relevante.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural defende investimentos em tecnologia e pesquisa para tornar a atividade mais resistente aos eventos extremos. Segundo o superintendente do Senar/RS, Eduardo Condorelli, a recuperação e o manejo do solo são fundamentais para aumentar a resiliência das lavouras.