Uma empresária de 25 anos move ação judicial contra uma clínica de estética e uma biomédica após sofrer infecção e passar por três cirurgias decorrentes de um preenchimento glúteo com ácido hialurônico em Porto Alegre. O procedimento foi realizado no início de agosto.
Patrícia Coelho Fernandes relata que sentiu dores intensas ainda durante a aplicação, desmaiou em casa horas depois e foi internada com quadro infeccioso. Exames de ultrassom confirmaram infecção nos dois lados dos glúteos.
Segundo a paciente, a dor começou enquanto o produto era aplicado. “Eu saí da clínica com muita dor e mal conseguia sentar no carro”, relatou. Em casa, permaneceu deitada de bruços e, nas horas seguintes, sentiu tremores, calor, tontura e fraqueza.
Patrícia afirma ter contatado a biomédica responsável, Carolina Machado Ramos, que teria orientado a tomar um medicamento. De madrugada, a empresária desmaiou mais de uma vez. “Eu falei para o meu esposo: ‘Eu estou desmaiando, me leva para o hospital'”, contou.
O marido a levou ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Exames de sangue indicaram processo infeccioso, e ela permaneceu internada por alguns dias. A paciente solicitou que a biomédica comparecesse ao hospital para explicar o procedimento e o produto utilizado.
Após a alta, a região apresentou inchaço, escurecimento e elevações visíveis. Patrícia enviou fotografias à profissional e teria recebido a informação de que as alterações faziam parte da recuperação. Com a piora, procurou uma clínica particular, onde um ultrassom confirmou a infecção bilateral.
A clínica Boto Lips afirmou que utilizou produtos regulares e assepsia adequada. A empresa alegou que a paciente descumpriu orientações ao realizar bronzeamento a jato 30 minutos após o procedimento. A defesa de Patrícia contesta a versão e afirma que o bronzeamento foi indicado pela própria biomédica e que médicos descartaram relação com a infecção.