Quase 190 mil habitantes do Rio Grande do Sul viviam, no ano passado, com rendimento domiciliar per capita inferior a US$ 3 por dia — o equivalente a R$ 15,43. Os dados constam em relatório divulgado pelo governo gaúcho, que aponta 1,7% da população nessa faixa.
Sem programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), esse contingente seria de 505 mil indivíduos, ou 4,5% dos gaúchos. Pela linha nacional de extrema pobreza, de até R$ 218 mensais por pessoa, a proporção no estado caiu de 1,8% em 2015 para 1,4% em 2024.
O levantamento também traça o perfil da população cadastrada no Cadastro Único (CadÚnico) para programas sociais do governo federal. Em 2025, as mulheres representavam 57,6% dos registros gaúchos, enquanto 76,1% dos cadastrados eram brancos e 23% pretos ou pardos — acima dos 19% verificados em 2015. A participação de pessoas com deficiência entre os cadastrados passou de 3,9% para 12,8% no mesmo intervalo.
Na faixa entre 1/4 e 1/2 salário-mínimo, o índice caiu de 12,9% para 9% entre 2015 e 2024. Em 2025, a proporção de pessoas abaixo da linha internacional de extrema pobreza era de 1,8% entre as mulheres e 1,6% entre os homens.
No recorte por cor ou raça, o percentual foi de 2,2% entre pretos e pardos e de 1,6% entre brancos. Na divisão por localização do domicílio, embora a incidência fosse maior no meio rural entre 2015 e 2020, os indicadores passaram a se aproximar nos anos seguintes: desde 2021, os percentuais urbanos superam os rurais — no ano passado, as taxas foram de 1,8% e 1,2%, respectivamente.
Outro indicador analisado mostra que 77,1% da população ocupada a partir dos 14 anos contribuía para instituto de previdência em 2025. O estudo também avalia as condições dos domicílios em que pelo menos um morador recebe Bolsa Família ou BPC. Entre os beneficiários do primeiro em 2025, cerca de dois terços dos domicílios dispunham de esgotamento por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede.
A publicação acompanha ainda o acesso a tecnologias de informação e comunicação. No ano passado, 97,1% dos moradores viviam em domicílios com utilização da internet, ante 78,8% em 2016. No indicador que reúne mortos, desaparecidos e diretamente afetados por desastres, o Rio Grande do Sul registrou em 2024 um total de 7.220,2 casos por 100 mil habitantes.