Nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, o Cemitério Municipal Vera Cruz volta a receber familiares e visitantes que prestam homenagens aos entes queridos. O local funciona como um museu a céu aberto, reunindo túmulos, mausoléus e monumentos que preservam a memória de personagens fundamentais para a formação de Passo Fundo.
Fundado em 1902, o Cemitério da Vera Cruz surgiu com a transferência dos antigos cemitérios do Centro para o atual bairro Vera Cruz, acompanhando o crescimento urbano e a chegada da ferrovia. Hoje, é o maior cemitério da região e reúne milhares de sepulturas, além de construções históricas que atravessam mais de um século da história passo-fundense.
Entre os túmulos mais conhecidos está o de Lalau Miranda, um dos maiores nomes do tradicionalismo gaúcho em Passo Fundo, cuja contribuição para a cultura regional permanece viva até hoje. Outro personagem de destaque é Jacintho D. Villanova (1862–1916), figura importante da história política e administrativa do município no início do século XX.
Também repousa no local Gervásio Lucas Annes (1853–1917), um dos maiores líderes políticos da história de Passo Fundo. Militar, advogado e várias vezes intendente municipal, foi responsável pela implantação do Cemitério Vera Cruz, pela construção da antiga Intendência — atual Museu de Artes Visuais Ruth Schneider — e pela fundação dos primeiros jornais da cidade.
As visitas também passam pelos jazigos de Armando Araújo Annes, ligado a uma das famílias que teve grande influência na formação política do município, e de Ângelo Pretto, médico que deixou importante legado na área da saúde em Passo Fundo. Entre os nomes lembrados está ainda João Schell, pioneiro militar da cidade, além de João Schell Loureiro, representante de uma família que participou do desenvolvimento econômico e social do município nas primeiras décadas do século passado.
Um dos monumentos mais imponentes do cemitério é o Mausoléu dos Pracinhas, visível de diferentes pontos do Vera Cruz. A construção foi erguida originalmente para receber os restos mortais de Jovino da Silva Freitas, vítima da gripe espanhola em 1918, mas posteriormente foi doada ao Exército Brasileiro. Hoje, abriga os militares passo-fundenses que morreram durante a Revolução Constitucionalista de 1932, tornando-se um dos principais símbolos históricos do local.
Entre os túmulos mais visitados está o de Maria Elizabeth de Oliveira. Morta aos 14 anos, em 1965, sua história deu origem a uma devoção que reúne visitantes no cemitério ao longo do ano.