A criação de cavalos exige responsabilidades que vão além do espaço físico, incluindo alimentação adequada, água limpa, abrigo e manejo correto. O alerta foi discutido durante o programa Uirapuru Ecologia, da Rádio Uirapuru, após registros frequentes de animais soltos e um acidente que deixou uma criança ferida em Passo Fundo.
Participaram do debate o presidente do Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos, Josemar Sgorla, o médico-veterinário Frederico Tisot, da VivaEqui Clínica e Reprodução de Equinos, e Tiago Orlando, inspetor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).
Segundo o veterinário Frederico Tisot, o bem-estar do cavalo não deve ser confundido com o que os humanos consideram conforto. O animal é sociável e necessita de alimentação adequada, água de qualidade e condições que respeitem suas características naturais.
Tisot destacou a importância de oferecer volumoso de boa qualidade, água disponível continuamente, sal mineral e, quando necessário, suplementação distribuída ao longo do dia. Para animais mantidos em cocheiras, são exigidas cama adequada e condições apropriadas de manejo.
O criador Josemar Sgorla, que trabalha com cavalos há cerca de 30 anos, atribuiu a ausência de problemas ao cuidado permanente e ao uso de cercas adequadas. Ele defendeu que pessoas sem condições de cuidar de um cavalo não devem manter o animal.
Sgorla alertou que um cavalo assustado pode romper cordas ou sistemas de contenção e atingir veículos ou pessoas. O animal pode pesar entre 450 e 500 quilos, o que agrava a gravidade de uma eventual colisão.
Na avaliação do criador, deixar o animal solto para que procure alimento por conta própria é uma situação que pode resultar em acidentes. Ele reforçou que o cavalo precisa de cocheira, cama, água limpa, alimentação de qualidade e espaço para se movimentar.
O inspetor técnico Tiago Orlando explicou que o microchip não funciona como GPS. O dispositivo permite identificar o cavalo, mas é necessário que o animal esteja cadastrado e que as informações estejam vinculadas ao proprietário.
A proposta discutida no programa envolve mapear os equinos, realizar a identificação e manter um cadastro que permita localizar o responsável em caso de apreensão ou acidente. O objetivo é facilitar a identificação dos proprietários e reforçar a responsabilidade pela manutenção dos animais.