O nascimento de cordeiros durante os meses de frio e chuva em Bagé exige cuidados imediatos para garantir a sobrevivência dos animais. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), entre 15% e 30% dos cordeiros morrem nas primeiras 72 horas de vida, período em que cada minuto é decisivo para que o animal se levante, encontre a mãe e se alimente.
As condições climáticas rigorosas, intensificadas pela influência do El Niño e pela maior frequência de chuvas, estão entre os principais fatores de risco. Diante desse cenário, produtores da região têm reforçado medidas de manejo para reduzir perdas durante a temporada de nascimentos.
Em uma propriedade rural de Bagé, a produtora Ana Cândida acompanha individualmente cada ovelha e anota a data de cobertura para saber com antecedência quando os partos devem ocorrer. Quando a data se aproxima, as matrizes são transferidas para áreas próximas à casa, permitindo observação constante durante o nascimento.
Atualmente, cerca de 230 ovelhas gestantes devem gerar aproximadamente 250 cordeiros na temporada. A propriedade registra índice elevado de partos gemelares, o que aumenta a necessidade de atenção redobrada no pós-parto.
Segundo Ana Cândida, o manejo adotado tem garantido resultados satisfatórios. “A gente tem um bom índice de gêmeos. Com todo esse manejo, a gente consegue salvar os cordeiros. A nossa perda é pouca, insignificativa”, afirma a produtora.
A combinação de monitoramento contínuo, esquila pré-parto e transferência das matrizes para áreas próximas à sede da propriedade tem se mostrado eficaz para reduzir a mortalidade neonatal. O acompanhamento começa ainda na gestação e se estende pelas primeiras horas de vida dos cordeiros, período mais vulnerável às baixas temperaturas e à umidade.