Ricardo Jardim, de 66 anos, acusado de matar, esquartejar e ocultar o corpo de Brasília Costa, permaneceu em silêncio na última audiência de instrução do caso, realizada nesta segunda-feira (31) no Foro Central de Porto Alegre. O réu, preso desde setembro de 2025, informou por escrito que não desejava prestar depoimento.
O torso da vítima foi encontrado em uma mala no guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre em agosto de 2025. Outras partes do corpo foram localizadas em diferentes pontos da capital, mas a cabeça de Brasília Costa segue sem ser encontrada.
O caso ganhou repercussão nacional pela brutalidade do crime e pelo histórico do suspeito. Ricardo Jardim já havia sido condenado em 2018 a 28 anos de prisão por matar e concretar a própria mãe. Na época do novo crime, ele estava em liberdade e mantinha um relacionamento amoroso com a vítima em uma pensão na Zona Norte de Porto Alegre.
Durante a audiência desta segunda, um inspetor da Polícia Civil depôs por videoconferência após ser indicado pela defesa. O policial, responsável pela análise das imagens da pousada onde o casal morava, relatou que o último registro de Brasília nas câmeras do local foi identificado no dia 8 de agosto de 2025.
A denúncia do Ministério Público aponta feminicídio no contexto de violência doméstica, com agravantes relacionados à idade da vítima e à dificuldade de defesa. Ricardo Jardim também responde por vilipêndio de cadáver, ocultação de cadáver, falsa identidade, falsificação e uso de documentos falsos, invasão de dispositivo informático e furto.
Exames periciais confirmaram por meio de testes de DNA que os restos mortais encontrados pertenciam a Brasília Costa. A denúncia foi recebida pela Justiça em 3 de novembro de 2025.
Com o encerramento da fase de instrução, acusação e defesa terão dez dias cada para apresentar as alegações finais por escrito. Após essa etapa, o processo ficará pronto para a decisão sobre a realização do júri popular. A Defensoria Pública informou que irá se manifestar apenas nos autos do processo.