O El Niño que se desenvolve no Oceano Pacífico tropical pode se tornar o mais forte já registrado na memória recente, com potencial para superar os grandes eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. A avaliação é do Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, que projeta um aquecimento anômalo de até 3°C nas águas do Pacífico equatorial.
O fenômeno, declarado oficialmente em junho, ganhou força rapidamente e as temperaturas da superfície do mar continuam subindo. Segundo os modelos do Met Office, o pico do evento deve ocorrer entre o fim do outono e o início do inverno no Hemisfério Norte, o que ainda permite um fortalecimento significativo nos próximos meses.
Adam Scaife, responsável pela previsão de longo prazo do Met Office, classificou o cenário como sem precedentes, afirmando que nunca viu nos modelos uma sinalização de El Niño tão intensa. A anomalia projetada na região Niño 3.4, principal área de monitoramento, colocaria o episódio na categoria informal de Super El Niño, um patamar muito acima dos eventos considerados fortes, que costumam registrar entre 1°C e 2°C acima da média.
O El Niño ocorre quando uma grande quantidade de água quente acumulada no Pacífico ocidental se desloca para o centro e leste do oceano. Esse movimento altera a transferência de calor entre o oceano e a atmosfera, modificando os padrões de circulação atmosférica em escala global.
Os efeitos já começam a aparecer em algumas regiões. O regime de monções da Índia apresenta precipitação abaixo do normal, enquanto áreas da América Central, do oeste do Pacífico e da América do Sul tropical podem enfrentar mudanças significativas nos padrões de chuva e temperatura.
O fenômeno também pode alterar a posição e a intensidade das correntes de jato, deslocando áreas de chuva e modificando a trajetória de sistemas meteorológicos em diferentes continentes. Os impactos devem ser sentidos ao longo dos próximos meses, com potencial para elevar ainda mais a temperatura global em 2027.