Um fenômeno meteorológico excepcional cobriu de neve áreas do deserto do Atacama, no norte do Chile, considerado o mais árido do planeta. As imagens foram capturadas pelo satélite GOES-19 e divulgadas pela Direção Meteorológica do Chile (DMC) nesta quinta-feira (20).
O episódio foi causado pela passagem de uma baixa segregada, um sistema de baixa pressão que se desprendeu da circulação principal da atmosfera. O sistema provocou chuva, neve, vento e tempestades com raios nas regiões de Antofagasta, Atacama, Tarapacá, Arica e Coquimbo.
As imagens de satélite mostram a neve na Cordilheira da Costa da Região de Antofagasta, alcançando áreas próximas ao Cerro Paranal, onde está localizado o Observatório Paranal, do Observatório Europeu do Sul (ESO). O contraste entre a paisagem desértica e a cobertura branca chama atenção pela intensidade do fenômeno em uma região onde a precipitação é extremamente rara.
O sistema meteorológico começou a atuar no norte chileno a partir de 17 de agosto e deve manter influência sobre a região até esta sexta-feira (21). A combinação de ar frio em altitude, umidade e o relevo elevado favoreceu a precipitação de neve nas áreas mais altas.
Um dos produtos de satélite utiliza o recurso RGB de gelo e neve, no qual a cobertura aparece em tons avermelhados. Outro registro mostra a neve em branco, permitindo visualizar com clareza a distribuição sobre o território.
O fenômeno também afetou a fauna local. Imagens divulgadas pelo geólogo Sergio Almazán mostram manadas de guanacos deixando áreas cobertas pela neve na província de El Loa, na Região de Antofagasta.
A emergência meteorológica deixou até o momento uma pessoa morta em decorrência das condições adversas. O Atacama possui alguns dos setores mais secos do planeta, com áreas que registraram períodos excepcionalmente longos sem chuva mensurável.