A Polícia Civil investiga a morte de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, que chegou sem vida à UPA Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, na madrugada de segunda-feira (17). O corpo da criança apresentava manchas roxas, lesões na cabeça, nádegas e pernas, além de sinais de violência sexual, conforme relato dos médicos que a atenderam.
O Conselho Tutelar de Porto Alegre acompanhava o caso da menina desde abril de 2025, quando ela e a irmã, de 9 anos, foram retiradas da casa da mãe e do pai após uma denúncia de abuso sexual contra a irmã mais velha. O suspeito era o pai de Samylle, que era padrasto da vítima.
A tia da menina foi quem a levou à UPA, mas o tio fugiu do local assim que a polícia chegou. A mulher prestou depoimento e afirmou ter discutido com o companheiro sobre o caso. Documentos apontam que o Conselho Tutelar concedeu um termo de responsabilidade à tia no início de julho, que estava em tratativas para obter a guarda na Justiça.
Em outubro do ano passado, a guarda da caçula foi devolvida à mãe, de forma compartilhada com o pai. A outra menina teria ficado com os avós maternos. A polícia busca entender como Samylle chegou à casa dos tios.
A tia relatou em julho que a mãe não cuidava bem da menina e buscou a Defensoria Pública na quinta-feira (13) para obter a guarda. Em nota, a Defensoria confirmou que foi procurada pela tia, “direcionada pelo Conselho Tutelar, por impossibilidade de exercício da guarda pela mãe”.
O coordenador-geral dos Conselhos Tutelares de Porto Alegre, Leandro Barbosa da Silva, afirmou que a rede de proteção encaminhou todos os documentos à Polícia Civil. “A rede não errou, porque a gente já passou todos os documentos, inclusive para a Polícia Civil”, disse.
A Polícia Civil apura a causa da morte e quem foi o responsável pelas agressões.