A passagem do furacão Lala pelo Havaí, na última segunda-feira, produziu uma combinação meteorológica rara: enquanto a ilha enfrentava chuvas torrenciais e ventos destrutivos, o topo do vulcão Mauna Kea, a 4.205 metros de altitude, registrou queda de neve. O fenômeno ocorreu no momento de maior aproximação do ciclone, que passou a cerca de 40 quilômetros da costa sul da Ilha Grande.
O centro do furacão, de categoria 1, não tocou terra, mas a circulação externa do sistema atingiu diretamente o arquipélago. No cume do Mauna Kea, as rajadas de vento superaram 190 km/h, e a sensação térmica chegou a -4°C. O contraste com as praias havaianas, onde o calor e a umidade predominavam, chamou a atenção de moradores e especialistas.
O episódio foi possível pela combinação de três fatores: a enorme quantidade de vapor d’água transportada pelo furacão, as temperaturas abaixo de zero no topo do vulcão e o relevo acentuado da montanha. O ar úmido foi forçado a subir pelas encostas, processo conhecido como levantamento orográfico, que resfriou o ar e transformou a precipitação em neve nos níveis mais altos.
A aproximação do Lala foi a mais próxima de um furacão registrada na Ilha Grande desde o início da série moderna de observações. O sistema passou pelo sul da ilha sem tocar terra, mas a parede do olho e a circulação externa provocaram impactos diretos em diversas regiões.
Os acumulados de chuva no lado voltado para o vento ultrapassaram 900 milímetros em alguns pontos. Em Laupāhoehoe, no nordeste da Ilha Grande, o total preliminar chegou a 1.107 milímetros, o que pode colocar o Lala entre os ciclones tropicais mais chuvosos já registrados no arquipélago.
Enquanto as áreas baixas enfrentavam enchentes e deslizamentos, o cume do Mauna Kea registrava uma paisagem de inverno. A neve cobriu o topo do vulcão, que é um dos pontos mais elevados do Pacífico e frequentemente registra temperaturas próximas de 0°C, mesmo em condições normais.
O fenômeno não representa risco adicional à população, mas evidencia a complexidade dos sistemas tropicais quando interagem com relevos montanhosos. As autoridades locais seguem monitorando os impactos das chuvas e dos ventos nas regiões costeiras.