A escritora Arlete Rohde, integrante da Academia Carazinhense de Letras (ACL), tem como patrono literário o poeta Mário Quintana. A escolha ocorreu pela identificação com a simplicidade e a forma como o autor valorizava os detalhes do cotidiano. O aniversário de nascimento de Quintana será celebrado durante a Feira do Livro de Carazinho (FLIC), em novembro.
Cada acadêmico da ACL adota um escritor falecido como padrinho literário. No caso de Arlete, a admiração pela trajetória e pela sinceridade do poeta motivou a homenagem. Ela destaca que Quintana não buscava lucro com sua arte, mas sim expandir a poesia e transmitir o amor pelas palavras.
A relação de Arlete com a obra de Quintana é antiga. Durante o período em que o jornal Correio do Povo mantinha o Caderno H, a escritora colecionava as poesias publicadas e as recitava para si mesma. A admiração também a levou a visitar a Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, experiência que descreve como marcante.
Apesar do patrono ser um poeta consagrado, Arlete revela que não escreve poesias. Ela prefere o gênero das crônicas por gostar de abordar os fatos de forma direta, sem fantasiar. “Eu prefiro colocar as coisas como são”, explica a escritora.
Após a escolha do patrono, Arlete aprofundou seus estudos sobre a vida e a obra de Quintana. Ela ressalta a persistência e a inteligência do autor como características inspiradoras. “Ser poeta não é muito fácil. Tem que ter uma mente muito aberta”, afirma.
Outro aspecto que despertou a atenção da acadêmica foi a receptividade do poeta com estudantes e admiradores. Segundo Arlete, Quintana mantinha uma postura acessível e generosa, sem orgulho, sempre disposto a compartilhar seu conhecimento.
Entre as obras preferidas da escritora está “A Rua dos Cataventos”. Ela também guarda recortes de jornais e materiais sobre o poeta, demonstrando a forte ligação com sua produção literária.
Para Arlete, a homenagem a Mário Quintana na FLIC representa a valorização de um dos grandes ícones da poesia brasileira. Ela acredita que a iniciativa contribui para expandir o conhecimento sobre a obra do autor. “Carazinho tem que dar o exemplo, mostrando que valoriza esses ícones”, conclui.