Um tornado atingiu o interior de Pedro Osório na quinta-feira (6), marcando a segunda semana consecutiva com registro do fenômeno no estado. O evento ocorreu durante a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical e deixou um rastro de destruição no Sul gaúcho.
Antes de Pedro Osório, municípios do Noroeste já haviam sido atingidos em 28 de julho. A instabilidade gerou rajadas de vento de até 120,4 km/h em Porto Alegre, além de destelhamentos e quedas de árvores. Em Montenegro, um motociclista de 33 anos morreu atingido por uma árvore na RS-124.
A repetição dos tornados em curto intervalo acendeu o alerta da Defesa Civil nos municípios atingidos. Em Pedro Osório, equipes trabalham na avaliação dos danos estruturais e no auxílio às famílias afetadas. O prejuízo acumulado no estado desde 1991 com desastres desse tipo chega a R$ 68 milhões, conforme levantamento histórico.
O estado integra o chamado corredor de tornados da América do Sul, considerado o segundo mais favorável do planeta para a formação do fenômeno, atrás apenas da região central dos Estados Unidos. A condição geográfica explica a frequência de tempestades severas.
O choque entre o ar quente e úmido da Amazônia e as massas frias que avançam do sul cria o ambiente propício. Quando os ventos mudam de direção e velocidade conforme a altitude, a tempestade começa a girar, formando a coluna de ar que liga a nuvem ao solo.
O gatilho desta semana foi a formação de um ciclone extratropical no oceano. A pressão atmosférica caiu para 997 hectopascais (hPa) em Pelotas, valor que indica alto potencial para nuvens muito carregadas. A queda brusca gerou uma supercélula, da qual o funil do tornado tocou o solo.
O climatologista Francisco Eliseu Aquino, da UFRGS, explica que a chance de ocorrência aumenta quando há maior contraste térmico e instabilidade elevada. A meteorologia consegue identificar condições favoráveis, mas ainda não é possível prever o ponto exato onde um tornado vai se formar.
O aquecimento global e o fenômeno El Niño potencializam os temporais na região Sul, aumentando a frequência de eventos extremos.
Fonte: Globo G1 Rio Grande do Sul