O tornado que atingiu o Noroeste gaúcho nesta semana reacendeu o alerta para um fenômeno recorrente no Rio Grande do Sul. Dados do Atlas Digital de Desastres apontam que, desde 1991, o estado contabilizou 31 desastres associados a tornados, afetando diretamente 7,6 mil pessoas e gerando prejuízos materiais de aproximadamente R$ 68 milhões.
O município de Ciríaco, na região de Passo Fundo, está inserido no chamado corredor de tornados da América do Sul, uma das faixas do planeta mais favoráveis para a formação desses eventos, atrás apenas da região central dos Estados Unidos. A condição geográfica e climática coloca a cidade entre as que já registraram ocorrências do fenômeno desde 2003, ao lado de Antônio Prado, Tapejara e São Francisco de Paula.
O histórico recente de Ciríaco e das cidades vizinhas demonstra que o fenômeno não é uma exceção, mas uma característica da dinâmica atmosférica local. O encontro do ar quente e úmido da Amazônia com massas de ar frio que avançam do sul do continente cria o cenário ideal para tempestades severas. Quando os ventos mudam de direção e velocidade conforme a altitude, a tempestade começa a girar, dando origem à coluna de ar em rotação que toca o solo.
O climatologista e professor da UFRGS, Francisco Eliseu Aquino, explica que a ocorrência do fenômeno não é incomum no estado. “A gente precisa das nuvens de tempestade severa, que são as cumulonimbus. O Rio Grande do Sul, nas últimas semanas, teve dezenas dessas tempestades muito desenvolvidas. É só a partir de uma nuvem como essa que pode surgir tornado ou tornados”, afirma.
Segundo o especialista, a possibilidade de ocorrência aumenta quando há forte contraste atmosférico. “Aumenta a chance de ocorrência de tornado no Rio Grande do Sul quando você tem maior contraste, uma frente quente, com instabilidade elevada e, por consequência, chuva e granizo associados”, detalha.
O meteorologista Maurício Ilha de Oliveira aponta que o aquecimento da atmosfera favorece tempestades severas, cenário que tende a intensificar a ocorrência de tornados. Apesar dos avanços da meteorologia, prever o local exato onde o tornado tocará o solo continua sendo um desafio para os especialistas.
O evento mais recente, registrado em Giruá, destruiu casas, derrubou árvores e matou animais em poucos minutos, com ventos que podem ultrapassar 300 quilômetros por hora. Em dezembro de 2003, Antônio Prado viveu um dos episódios mais graves da história recente, com cinco mortos e oito feridos.
Fonte: Globo G1 Rio Grande do Sul