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Porto Alegre

Inter pode ser punido por uso de áudio falso no julgamento de Victor Gabriel, dizem especialistas

Defesa do Inter apresentou áudio falsificado no STJD durante julgamento do zagueiro Victor Gabriel; clube e escritório jurídicos admitem erro e negam má-fé. Especialistas apontam que multa é a sanção mais provável, mas risco de punição existe.
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Redação Planalto RS 24 Horas

30 de julho de 2026

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O julgamento de Victor Gabriel no Superior Tribunal de Justiça Desportiva ganhou novo capítulo ao revelar que a defesa do Internacional apresentou um áudio falso, atribuído à comunicação entre a cabine do VAR e o árbitro. O material, criado por uma página em redes sociais, foi exibido por representante do clube e viralizou após o esquema ser identificado.

Imediatamente após a identificação da falsidade, o advogado Rogério Pastl solicitou a retirada da prova do processo; em nota, o escritório de defesa e o clube reconheceram o erro e disseram não ter havido má-fé. A apresentação do áudio chegou a alterar o rumo do julgamento: uma das auditoras mudou o voto e passou a apoiar punição mais severa ao atleta, que foi suspenso até o retorno de Gabriel Pec aos treinamentos, com prazo máximo de 180 dias.

Especialistas ouvidos pela reportagem mantêm posicionamentos convergentes sobre a baixa probabilidade de punição extrema ao Internacional, mas não descartam responsabilização. Fernanda Soares, advogada e mestre em Direito Desportivo, afirma que, embora o artigo 234 contemple suspensão, multa e eliminação, a aplicação de pena de suspensão a um clube seria muito extrema; na prática, segundo ela, resta a multa e a desqualificação da prova já configura prejuízo ao clube.

Andrei Kampff, jornalista e advogado com pós-graduação em direito desportivo, ressalta que só caberia denúncia por dolo documental se a Procuradoria entender que houve tentativa deliberada de induzir o Tribunal ao erro. Kampff destaca que, no caso em análise, tudo indica tratar-se de erro involuntário da defesa, o que reduziria a probabilidade de acusação por conduta dolosa, limitando-se a possíveis sanções éticas ou multas.

Fontes próximas ao Judiciário desportivo consultadas pela reportagem confirmam que a desqualificação do material já foi imediata e que o STJD poderá abrir procedimento próprio para apurar a conduta do clube, caso entenda necessário. A investigação interna do Internacional sobre como o áudio falso entrou no rol de provas segue em curso, segundo nota oficial.

A mudança de voto motivada pela apresentação do áudio também acendeu discussão sobre os critérios de avaliação de provas digitais em julgamentos esportivos. Advogados ouvidos alertam para a necessidade de checagem prévia de origem e autenticidade em arquivos apresentados em tribunal, sob risco de comprometer decisões e responsabilizar quem os colocou em circulação.

O Inter não detalhou, em sua nota, as medidas internas tomadas após a identificação do erro, apenas reiterou que não houve intenção dolosa e que colaborará com apurações. O processo disciplinar que analisa a conduta do jogador e eventuais implicações para o clube permanece sob a competência do STJD.

Fonte: Globo Esporte RS

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