O calor extremo provocado pelo Super El Niño pode causar 13,3 mil mortes no Brasil até fevereiro de 2027. Os dados são de um relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
O país deve ser o mais afetado da América Latina pelo fenômeno, caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico. A projeção global indica 451 mil mortes no planeta no mesmo período.
Segundo os cientistas, os dias extremamente quentes devem quase dobrar até fevereiro de 2027, ficando pelo menos 1,2ºC acima do normal na comparação com anos anteriores. O cenário deve se intensificar durante o verão.
O relatório indica que as áreas mais afetadas pelo Super El Niño estão concentradas no Sul global. O Brasil ocupa a quinta posição entre os países com maior número estimado de mortes, atrás de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria.
No continente americano, os Estados Unidos aparecem com 3,5 mil mortes adicionais em relação a um ano normal. Venezuela, com 2,3 mil, e Colômbia, com 2,2 mil, também se destacam nas projeções.
Na África, o relatório projeta 67 mil mortes, com quase metade concentrada na Nigéria, que enfrentaria 31,4 mil óbitos. O Sudão aparece em seguida, com 17,5 mil mortes adicionais.
O cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor da Universidade de Chicago, Michael Greenstone, destacou a gravidade do cenário. “Esse número inclui pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, afirmou.
O Brasil se prepara para o período com a instalação de bases da Força Nacional do Sistema Único de Saúde. As estruturas contam com equipamentos e pessoal para atuar durante emergências e desastres climáticos.